Em conversa para o Blog, Felipe Salto, da Warren Rena, ex-diretor da Instituição Fiscal Independente do Senado (IFI), defendeu essa reforma como “prioridade máxima”, diante do avanço desordenado da descentralização de recursos dentro do federalismo fiscal. “Será preciso rever todo esse modelo que foi sendo construído a partir de emendas parlamentares desde 2015, e que transformou o orçamento federal em algo ainda mais rígido”, afirmou.
Em artigo publicado esta semana no Valor Econômico (acesso restrito a assinantes do jornal), Manoel Pires, coordenador do Centro de Política Fiscal e Orçamento Público (CPFO) do FGV IBRE jogou novas luzes ao tema, defendendo o papel da análise do patrimônio líquido (PL) governamental como referência – não âncora – para a gestão das contas públicas. Em 2024, esse PL registrou um valor negativo de R$ 5,9 trilhões, ou -50,3% do PIB. Para ele, essa seria uma forma de corrigir um viés presente na política fiscal brasileira, em favor de despesas correntes em detrimento de despesas de capital. “Quando o governo se endivida para investir, ele acumula um ativo e mantém o PL constante. Quando se endivida para custear despesas correntes, o PL cai e o país, fica ‘mais pobre’. Tais perspectivas são diferentes da saúde financeira de um país”, diz Pires no artigo.