Para Ceron, trata-se de uma discussão que não deve se limitar aos temas tradicionais, como a revisão da idade mínima para a aposentadoria. Ao se olhar para o sistema previdenciário como um todo, afirmou, uma reforma poderá influenciar também no custo de financiamento da dívida pública. “O Brasil tem uma característica muito peculiar: nossa dívida é de vencimento relativamente curto e muito atrelada à política monetária, com cerca de 50% relacionada à Selic”, descreveu, apontando que essa condição reflete a estrutura de poupança da economia brasileira, que tampouco é longa. “Isso se relaciona com nosso sistema previdenciário”, afirmou, ilustrando que a falta de tradição de capitalização e grandes fundos de pensão contribui para um cenário de pouco estímulo à formação de poupança para carregar títulos de longo prazo.
“Mesmo quando o país tinha grau de investimento, havia problema com a taxa de giro real no Brasil vis-à-vis outros países do mundo”, destacou Ceron, reforçando a importância dessa pauta para o equilíbrio fiscal, e do potencial de colaboração do sistema previdenciário. “O Brasil está engatinhando na formação de instrumentos complementares. Em países como o Canadá e outros, os sistemas de pensão contam com um volume grande de poupança das famílias alocado, com liberdade para fazer aplicações mais longas.”
O secretário reconheceu, entretanto, que a reforma previdenciária não se trata de um debate trivial, posto que no Brasil esse ajuste implica decisões em torno de temas como a regra de reajuste do salário mínimo, que atualmente permite ganhos reais. Ceron apontou que essa política “impacta uma série de despesas importantes”, mas defendeu “seu papel social e econômico relevante”, relacionando-a à redução recente da pobreza e da desigualdade.
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