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11/11/19

Indicadores de clima econômico do mundo e da América Latina pioram no quarto trimestre

Sondagens e Índices de Confiança | Sondagem da América Latina

O indicador Ifo/FGV de Clima Econômico (ICE) da América Latina — elaborado em parceria entre o instituto alemão Ifo e a FGV — registrou queda pelo terceiro trimestre consecutivo ao passar de 26,4 pontos negativos, em julho, para 28,2 pontos negativos em outubro.

O Indicador de Expectativas (IE), positivo desde julho de 2016, recuou no mesmo período de 17,2 pontos para 15,5 pontos. Já o Indicador da Situação Atual (ISA) da América Latina passou de 61,3 pontos negativos para 63,0 pontos negativos entre as sondagens de julho e outubro. Na média de 2019, houve piora tanto das expectativas quanto das avaliações da situação atual da economia na América Latina em relação ao ano passado. Neste ano, o IE médio ficou em 16,7 pontos ante 21,9 pontos em 2018; o ISA fechou o ano com uma média de 52,3 pontos negativos, bem acima dos já fracos 35,3 pontos negativos do ano passado.

O clima econômico da América Latina tem sido menos favorável que o da média mundial desde 2013, como mostra o Gráfico 2. A queda no ICE do mundo entre julho e outubro de 2019, de 10,1 pontos negativos para 18,8 pontos negativos, foi liderada pela acentuada piora do indicador que mede as percepções sobre a situação atual, de 5,4 pontos negativos para 16,4 pontos negativos, enquanto o IE passou de 14,7 pontos negativos para 21,1 pontos negativos. Ao contrário do que ocorre na América Latina, portanto, na média mundial os números dos indicadores de expectativas estão piores do que os da situação atual.

A deterioração do clima econômico nas principais economias contribuiu para a piora do ICE mundial. Destaca-se a evolução do clima econômico nos Estados Unidos, cujo ICE passou de positivo para negativo com a queda de 21 pontos do IE, de 30,9 pontos negativos em julho para 51,9 pontos negativos em outubro, enquanto o ISA manteve-se na zona favorável do ciclo, com um recuo de 4,7 pontos, de 49,1 pontos para 44,4 pontos. Todas as grandes economias estavam com o clima econômico desfavorável em outubro e apenas Reino Unido e Rússia registraram ligeira melhora no ICE em relação ao trimestre anterior.

Resultados para países selecionados da América Latina

A piora do ICE da América Latina entre julho e outubro é explicada pelos resultados negativos das principais economias da América do Sul. A maior queda de ICE foi registrada na Argentina, onde o indicador variou de 21,2 pontos negativos para 55,4 pontos negativos no período. O ISA argentino recuou, de 84,6 pontos negativos para 100 pontos negativos, ou seja, é unânime a avaliação de um quadro desfavorável da situação atual. A queda do IE, de 76,9 pontos positivos para 9,1 pontos positivos, no entanto, exerceu a maior contribuição para a queda acentuada do clima econômico do país.

No Brasil, o ICE registrou uma pequena piora ao passar de 23,2 pontos negativos para 25,0 pontos negativos com o recuo do IE, de 50,0 pontos positivos para 45,0 pontos positivos. O ISA ficou estável em 75,0 pontos negativos, resultado que se repete desde abril de 2019. A avaliação sobre a situação atual é negativa no Brasil desde julho de 2012. Expectativas mais favoráveis que a avaliação da situação atual vem sendo uma característica do Brasil em anos recentes.

O ICE passou de positivo para negativo entre julho e outubro no Chile e na Colômbia. No caso do Chile, o ISA se manteve inalterado em 10,0 pontos negativos enquanto as expectativas passaram de 40,0 pontos positivos para um saldo de 0,0 (zero) ponto. Na Colômbia, houve piora tanto das expectativas quanto da situação atual, sendo que as expectativas continuam na zona favorável. O clima econômico manteve-se na zona favorável no Paraguai, apesar da queda do ICE, de 9,9 para 4,0 pontos.

Houve melhora do clima econômico no Equador, no México e no Uruguai. Todos, no entanto, continuam com saldos negativos no ICE.

Principais problemas enfrentados pelos países

A Sondagem da América Latina de outubro traz resultados de uma enquete com os especialistas sobre os principais problemas enfrentados em cada país para manter a economia em crescimento. Pontuações acima de 50,0 pontos indicam que o item é considerado uma restrição (um problema relevante) para o crescimento econômico.

No Brasil os principais problemas, em ordem decrescente, são: infraestrutura inadequada; demanda insuficiente; falta de competitividade internacional; falta de inovação; corrupção; barreiras legais para investidores; falta de mão de obra qualificada; instabilidade política; aumento da desigualdade de renda e barreiras às exportações. A confiança na política do governo ficou na fronteira que divide as questões relevantes e pouco relevantes, com exatos 50,0 pontos.

Infraestrutura inadequada é um problema com pontuação de 100 pontos no Brasil, Colômbia, Paraguai, Peru e Venezuela. Só não é apontado como relevante no Chile e no Equador. Segundo os especialistas consultados, a Falta de confiança na política econômica é um problema apontado com maior frequência na Argentina e no México. O Aumento da desigualdade de renda não é considerado um problema na Bolívia e nem no Uruguai e novamente encontra os piores resultados na Argentina e no México.

O cálculo da média das pontuações de cada país mostra que aquele que apresenta menos problemas, de acordo com os especialistas, é o Chile (35,8 pontos), seguido do Uruguai (37,5 pontos), Paraguai (46,7 pontos), Equador (49,4 pontos), Bolívia (52,2 pontos), Peru (54,2 pontos), México (58,7 pontos), Brasil (60,9 pontos), Colômbia (61,0 pontos), Argentina (63,3 pontos) e Venezuela (100 pontos).

Ressalte-se que, exceto o tema do aumento da desigualdade social (que está presente como problema no Chile), as outras questões são direcionadas especificamente para restrições ao crescimento e não refletem indicadores de bem estar.

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