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16/10/19

Monitor do PIB FGV aponta crescimento de 0,9% na atividade econômica em agosto

Monitor do PIB | Monitor do PIB

O Monitor do PIB-FGV aponta, na análise da série dessazonalizada, crescimento de 0,9% na atividade econômica em agosto, em comparação a julho e, crescimento de 0,6% no trimestre móvel (jun-jul-ago) comparado ao trimestre findo em maio (mar-abr-mai). Na comparação interanual a economia cresceu 0,2% em agosto e retraiu 0,3% no trimestre findo em agosto.

“O resultado da economia melhorou em agosto, na comparação com julho, com crescimento nas três grandes atividades econômicas. Embora na comparação com 2018 também tenha havido crescimento da economia em agosto, o desempenho positivo só ocorreu na agropecuária e nos serviços. Nesta comparação, a indústria apresentou sua terceira queda consecutiva explicada, principalmente, pelo fraco desempenho da transformação. Esses dados mostram que, embora a economia esteja crescendo nas comparações entre períodos consecutivos, não consegue manter um ritmo de crescimento substancial na comparação com os mesmos períodos de 2018. O reflexo disto é a trajetória descendente da taxa acumulada em 12 meses, desde maio deste ano. Em 4 meses, houve redução desta taxa a quase metade chegando ao crescimento de apenas 0,7%, no acumulado até agosto” afirma Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV.

O crescimento de 0,9% da economia observado em agosto, na comparação com julho, foi influenciado pelo desempenho da agropecuária e da indústria que apresentaram crescimento de 1,7% e 1,1%, respectivamente. O resultado da indústria deve-se, principalmente, a extrativa e a eletricidade que cresceram mais do que 4%, neste mês. O crescimento da extrativa está associado ao aumento na produção de petróleo e também à recuperação dos níveis de produção de minério de ferro, após a retração no início do ano. Na comparação interanual, o crescimento de 0,2% da economia, em agosto, foi impulsionado, principalmente, pela agropecuária e pelos serviços. Apesar desse crescimento, vale destacar que atividades de extrema relevância para impulsionar a economia (como a transformação, o comércio e os transportes) retraíram nesta comparação. Pela ótica da demanda o único componente a crescer, na comparação interanual, foi o consumo das famílias, com uma elevação de 0,3%.

ANÁLISE DESAGREGADA DOS COMPONENTES DA DEMANDA

A análise gráfica desagregada dos componentes da demanda foi feita usando a série trimestral interanual por apresentar menor volatilidade do que as taxas mensais e aquelas ajustadas sazonalmente permitindo melhor compreensão da trajetória de seus componentes.

Consumo das famílias

O consumo das famílias cresceu 0,8% no trimestre móvel findo em agosto, em comparação ao mesmo trimestre de 2018. Esta é a menor taxa de crescimento deste componente, desde maio de 2017. O consumo de bens explica essa redução do ritmo de crescimento do consumo das famílias neste trimestre com expansões modestas em todos os tipos de consumo (0,2% no consumo de não duráveis; 0,6% no consumo de semiduráveis e, 1,0% no consumo de duráveis).

Formação bruta de capital fixo (FBCF)

A FBCF retraiu 0,1% no trimestre móvel findo em agosto, em comparação ao mesmo trimestre de 2018. Apesar desta variação ser a primeira negativa desde o terceiro trimestre de 2017 (-0,9%), este resultado foi muito influenciado pela elevada importação de plataformas que ocorreu neste mesmo período em 2018. Consequentemente, o resultado negativo neste trimestre é um reflexo do forte efeito base desta série.

Exportação

A exportação apresentou queda de 7,3% no trimestre móvel findo em agosto, em comparação com o mesmo trimestre de 2018. A exceção de serviços, que teve fraco crescimento de 0,3%, todos os demais grandes grupos de exportação retraíram neste trimestre. A principal retração foi na série de bens de capital que apresentou queda de 49%, a sétima consecutiva, nesta comparação.

Importação

A importação retraiu 4,1% no trimestre móvel findo em agosto, comparativamente ao mesmo trimestre de 2018. O efeito base também influenciou na queda do volume importado, tendo em vista as elevadas retrações dos bens de capital (-33,5%) e dos bens de consumo duráveis (-22,9%) quando estes haviam crescido 142,9% e 49,7%, respectivamente, no trimestre móvel findo em agosto de 2018. Como destaque positivo há a elevação do volume importado de bens intermediários em 7,7%.

MONITOR DO PIB-FGV EM VALORES

Em termos monetários, o PIB em valores correntes alcançou a cifra de aproximadamente 4 trilhões, 723 bilhões, 871 milhões de Reais no acumulado até agosto do corrente ano. A taxa de investimento (FBCF/PIB) foi de 18,7%, em agosto, na série a valores de 1995.

APÊNDICE – NOTA EXPLICATIVA

O Monitor do PIB-FGV estima mensalmente o PIB brasileiro em volume e em valor. O objetivo de sua criação foi prover a sociedade de um indicador mensal do PIB, tendo como base a mesma metodologia das Contas Nacionais do IBGE. Sua série inicia-se em 2000 e incorpora todas as informações disponíveis das Contas Nacionais (Tabelas de Recursos e Usos, até 2016, último ano de divulgação) bem como as informações das Contas Nacionais Trimestrais, até o último trimestre divulgado (segundo trimestre de 2019).

O indicador é ajustado as Contas Nacionais Trimestrais sempre que há mudanças metodológicas e a cada trimestre divulgado. Ou seja, nos trimestres calendários, as médias trimestrais dos índices de volume do Monitor do PIB-FGV serão iguais aos indicadores trimestrais, sem ajuste sazonal, das Contas Nacionais Trimestrais. Nos trimestres calendário, são utilizados os mesmos modelos do IBGE para calcular todas as séries desagregadas com ajuste sazonal, tanto pela ótica da oferta, como da demanda. Para o ajuste sazonal mensal é utilizado o modelo mensal do IBC-Br, do Banco Central; para os trimestres móveis utiliza-se uma média desses ajustes mensais.

Assim, as estimativas do Monitor do PIB-FGV antecedem os resultados das Contas Nacionais Trimestrais nos meses em que este é divulgado. E, nos meses em que não há divulgação, o Monitor representa uma excelente antecipação para as tendências do PIB e seus componentes.

O Monitor do PIB-FGV compõe-se de um relatório descrevendo os principais resultados com ilustrações gráficas e de uma tabela Excel com informações de volume, em valores correntes, e a preços de 1995 das 12 atividades econômicas que agrupadas formam os 3 setores de atividade (agropecuária, indústria e serviços). Apresenta, ainda, o Valor Adicionado a preços básicos, os impostos sobre os produtos e o PIB e também os componentes do PIB pela ótica da demanda. Outro ponto a ser destacado é que o Monitor torna disponíveis desagregações que não são divulgadas pelo IBGE, mas que são relevantes para um melhor entendimento da absorção doméstica e da demanda externa. As desagregações disponibilizadas pelo Monitor são:

Consumo das Famílias: bens de consumo duráveis, semiduráveis, não duráveis e serviços. Adicionalmente eles são classificados em nacionais e importados;

Formação Bruta de Capital Fixo: em máquinas e equipamentos, construção e outros. Para máquinas e equipamentos e outros, há a desagregação entre nacionais e importados;

Exportações e Importações: em produtos agropecuários, produtos da extrativa mineral, produtos industrializados de consumo (duráveis, semiduráveis e não duráveis), produtos industrializados de uso intermediário, bens de capitais e serviços.

São divulgadas as séries de base móvel, séries encadeadas, séries encadeadas dessazonalizadas, as taxas mensais, trimestrais e anuais comparadas a igual período do ano anterior e as taxas mensais e trimestrais comparadas a período imediatamente anterior, e os valores nominais correntes e a preços de 1995. Uma metodologia detalhada está disponível aqui.

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