Nesta última edição do ano, miramos o futuro além de 2026. Tratamos da sustentabilidade ambiental, que tantas luzes ganhou recentemente na COP30, sob o olhar macroeconômico dos pesquisadores do FGV IBRE. Na Carta do IBRE, Luiz Schymura reflete o alerta de Bráulio Borges e Francisco Faria Pessoa de que, diferentemente do que houve na época da descoberta do pré-sal, não há um debate organizado sobre o destino dos recursos de exploração de petróleo na Margem Equatorial, quando essa for confirmada. Levando em conta que o mundo neutro em carbono não significa o fim do petróleo, e a necessidade de protocolos adequados para evitar impactos ambientais na região, eles defendem que esses recursos deveriam ser divididos entre engrossar o resultado primário e medidas de mitigação do aquecimento global.
Já na entrevista do mês, Luiz Awazu Pereira da Silva defende que, sem mudanças temporárias no arcabouço macroeconômico – fiscal, monetário e macroprudencial –, o mundo acentuará um círculo vicioso que o afasta do cumprimento da meta de conter o aquecimento global. Trata-se de uma discussão que requer cuidado, alerta, mas que considera imprescindível para se garantir o investimento necessário para essa transição verde.
Tal como fazemos periodicamente, nesta edição também voltamos a olhar para o endividamento do consumidor para compreender por que em tempos de bons indicadores de mercado de trabalho e renda o nível de inadimplência não cede. Juros altos pesam, mas não contam a história sozinhos. É preciso compreender e agir para fortalecer outra sustentabilidade importante para o bem-estar do brasileiro: a financeira.