Nota do Editor

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Depois de pouco mais de 3 meses que a pandemia do coronavírus desembarcou por aqui, os dados sobre a atividade econômica não param de piorar. No primeiro trimestre, que ainda não incorporou os efeitos totais da pandemia que se agravou a partir de abril, o PIB caiu 1,5% em relação ao último trimestre de 2019, puxado por forte retração no setor de serviços – com participação de 70% no PIB – e do consumo das famílias que vinha alavancando a atividade para patamares positivos, ainda que acanhados, nos dois últimos anos. E os cenários para esse segundo trimestre apontam para uma queda de 10%, sacramentando um ano em que o PIB deve ter uma retração expressiva, oscilando entre 5%, na mais otimista, para taxas acima dos 10%, para os mais pessimistas.

Mesmo com a curva de contaminação e mortes em processo ascendente quando esta nota foi escrita no início de junho, as pressões para uma volta gradual da atividade econômica têm se intensificado, se alinhando ao discurso do presidente Bolsonaro que, desde o começo da pandemia, tem defendido essa opção, ao contrário do que se fez mundo afora. A editora Solange Monteiro, na matéria de capa desta edição, traça um amplo perfil dos possíveis caminhos da recuperação, com as medidas adotadas pelo governo, como o auxílio emergencial às empresas e trabalhadores e os riscos fiscais que se abrem no futuro recente.

Embora o quadro seja grave, não só no Brasil como no mundo todo – o FMI projeta uma queda do PIB mundial este ano de 3% –, a economia brasileira não será destruída, como muitos analistas avaliaram quando a pandemia chegou com força por aqui, como mostra a Carta do IBRE, pelos avanços econômicos e sociais que o país alcançou nos últimos anos.

Há, no entanto, um gigantesco grau de incerteza de que forma a economia, as relações de trabalho, o comportamento das pessoas, as relações entre as nações, com provável aumento do protecionismo, se comportarão pós-pandemia. A descoberta de uma vacina pode levar à volta a uma rotina normal. Isso, só saberemos com o tempo.

#FiqueEmCasa

Claudio Conceição | claudio.conceicao@fgv.br

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