Nota do Editor

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Este mês, Conjuntura Econômica completa mais de sete décadas de circulação. São 73 anos acompanhando as principais transformações econômicas, políticas e sociais que o país atravessou nesse longo período. Neste número especial, entrevistamos duas personagens que fizeram parte ativa dessa história: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que também exerceu o cargo de ministro de Relações Exteriores e da Fazenda, e Antonio Delfim Netto, ex-ministro do Planejamento, da Fazenda e da Agricultura.

Com visões semelhantes em vários aspectos, embora com discordâncias em determinados temas, tanto FHC como Delfim não escondem a preocupação e apreensão pela falta de rumo em que o Brasil se encontra, sem uma sinalização clara, por parte da presidência, de projetos e planos que possam injetar ânimo nos investidores, quando ainda sofremos com a pandemia do coronavírus que derrubou a atividade econômica mundo afora. Mesmo assim, o Brasil, em certa medida, tem se saído melhor que a maioria dos países emergentes e desenvolvidos, com uma queda do PIB prevista da ordem de 5% este ano.

Mas, como alerta o ex-presidente, o aumento da desigualdade que a pandemia escancarou – embora ela já estivesse presente – pode inviabilizar o atual sistema, com o surgimento de regimes populistas, ultraconservadores, como já se observa em algumas partes do mundo. A vitória de Joe Biden nas eleições norte-americanas tende a arrefecer um pouco esse cenário, embora a grande votação de Donald Trump no voto popular, e sua resistência em aceitar a derrota, prenuncie uma forte oposição ao novo presidente.

E é com imenso orgulho que escrevo esta Nota pela revista chegar aos 73 anos de circulação nesses tempos tão difíceis, agora em versão digital acompanhando a evolução que vem ocorrendo nos órgãos de imprensa de todo o mundo. E, para aumentar ainda mais as informações de qualidade geradas pela FGV, estamos lançando o Blog da Conjuntura Econômica, que trará atualizações semanais sobre o que de mais importante acontece na economia brasileira.

Quando completou 60 anos, o presidente da Fundação Getulio Vargas, Carlos Ivan Simonsen Leal, em artigo ressaltava que “a revista foi criada num período em que o noticiário econômico tinha muito pouco espaço na mídia nacional e que, em 1947, havia um consenso na FGV de que existia uma lacuna para boa análise econômica aplicada a problemas socioeconômicos... E que a revista é um grande ativo da Fundação Getulio Vargas”.

Espero que em 2021 possamos voltar a ter tempos melhores. Boa leitura.

#FiqueEmCasa

Claudio Conceição | claudio.conceicao@fgv.br

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