Nota do editor

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A segunda onda da Covid-19, muito mais fatal que a primeira, derrubou as expectativas de que o país entrasse numa trajetória de crescimento, já nesse primeiro semestre do ano. A Carta do IBRE deste mês se debruça sobre os reflexos da pandemia na pauta econômica, ancorada na percepção de que “o Brasil vive um momento dramático em muitos aspectos: sanitário, social, econômico e político-institucional. O desespero se abate sobre aqueles diretamente atingidos pelas diversas dimensões da crise”.

A pandemia exigiu esforços do governo já em 2020, através do auxílio emergencial, para atender aos mais vulneráveis, o que debilitou, ainda mais, a situação fiscal do país. Com essa segunda onda, a implantação de outro auxílio, no valor de R$ 44 bilhões, por 4 meses a partir de abril, levanta dúvidas se será suficiente para amparar a legião de pessoas que engrossaram a informalidade com a pandemia, especialmente para aqueles com menor escolaridade, os mais afetados pelo desemprego.

Segundo o pesquisador do FGV IBRE, Fernando Veloso, citado na Carta, “enquanto o emprego formal recuou 4,2% em 2020, o informal teve queda de 12,6%. Houve recuo de 20,6% no emprego de pessoas com até 3 anos de estudo, e de 15,8% para os de escolaridade entre 4 e 7 anos. Já para o grupo com mais de 15 anos de estudo, ocorreu um aumento de 4,8% do emprego no ano passado.

Além da pandemia, da frágil situação fiscal que dificulta a liberação de mais recursos, outro fantasma começa a assombrar: a inflação que, como se sabe, atinge as camadas mais pobres da população. É o que mostra a editora Solange Monteiro na matéria de capa desta edição.

Também abordamos os reflexos da crise aberta com a saída dos três comandantes das Forças Armadas, que gerou uma grande instabilidade política-institucional, e os impactos da flexibilização do uso de armas no país, uma agenda que vem sendo implantada pelo presidente Bolsonaro.

Infelizmente, se março foi um mês trágico, abril parece que não será diferente. Segundo os especialistas, o número de mortes poderá ser bem maior que no mês passado. Hoje, das mortes no mundo, o Brasil já representa cerca de 40% do total.

#FiquemBem

Claudio Conceição | claudio.conceicao@fgv.br

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