Nota do editor

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 economia brasileira cresceu 1,2% no primeiro trimestre do ano em relação ao trimestre anterior, superando, com folga, as previsões do mercado. Com isso, a atividade econômica voltou ao patamar do quarto trimestre de 2019, antes que a pandemia surgisse. Outro dado importante: se compararmos com o primeiro trimestre de 2020, o PIB cresceu 1%, a primeira alta dentro da pandemia.

E os indicadores de alta frequência que estão saindo mostram que a recuperação prossegue, levando a uma revisão nas projeções sobre como deverá se comportar a economia este ano. O Boletim Macro IBRE estima que o PIB deverá fechar o ano com um crescimento de 4,6%. Mas há previsões mais otimistas, acima dos 5%.

Mas há riscos no horizonte que podem atrapalhar. O primeiro é como vai se comportar a pandemia nos próximos meses. Embora tenha havido uma certa estabilização no número de novos casos e mortes, ela está em patamares bastante elevados e houve um aumento significativo nas últimas semanas no nível de internações nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Também o número de pessoas infectadas voltou a dar um salto nos dois últimos dias. Mas há esperança de haver um arrefecimento da pandemia com o avanço da vacinação por uma maior oferta de imunizantes, já a partir deste mês, que deve crescer a partir de julho. 

O segundo fantasma que volta a assombrar é a inflação, com a disparada nos preços da carne, da soja, do milho, que impactam a ração alimentar. O que tende a piorar com a iminente crise energética, o terceiro risco, devido à estiagem e nível dos reservatórios que estão muito baixos. No final de maio último, os reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste estavam com 32,01% de capacidade, bem próximo dos 29,87% de 2001, quando o país viveu uma grave crise energética. É o nível mais baixo desde 2002. O provável aumento dos preços da energia, com o uso de termelétricas, mais caras, vai impactar os custos das empresas e o bolso dos consumidores.

Os caminhos da retomada econômica e a necessidade da criação de uma rede de amparo aos mais vulneráveis, seja através do fortalecimento do Bolsa Família, seja através de outros mecanismos, ante esses desafios são tratados pela editora Solange Monteiro na edição deste mês da revista.

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Na última terça feira (1), a imprensa perdeu um de seus mais brilhantes jornalistas. Aos 67 anos, depois de lutar por 49 dias contra a Covid-19, Ribamar Oliveira, repórter especial e colunista do Valor Econômico, partiu. Riba, como era carinhosamente chamado pela legião de amigos que amealhou durante seus mais de 40 anos de profissão, deixa um vazio enorme. Para a profissão e seus amigos. Fique em paz, amigo.

Claudio Conceição | claudio.conceicao@fgv.br

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