Nota do editor

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Nos últimos anos, tem piorado a situação do desmatamento na Amazônia. No período recente, uma enorme pressão internacional começou a ser exercida sobre o Brasil, com cobranças para que sejam implementadas políticas de proteção à floresta. No mês passado, a Amazônia teve 2.308 focos de calor (áreas que estariam sendo desmatadas), 2,6% mais do que em junho de 2020 que já havia registrado recorde histórico, segundo números do Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe). É um quadro preocupante, pois acontece antes mesmo da temporada do fogo na região que começa em agosto e dura cerca de 4 meses.

É sobre esse tema que a Carta do IBRE se debruça este mês, ao enfatizar a importância da região para o planeta e a necessidade de se desenhar as vocações da região como forma de incentivar a atividade econômica local.

Na edição de junho de Conjuntura, o ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que se dedicou a estudar as tecnologias que determinarão a transição dos países a economias de baixa emissão de gás carbônico, resumiu o desafio brasileiro para entrar nesse movimento de retomada verde em dois: fazer cumprir a lei para combater o desmatamento ilegal na Amazônia, cujo aumento tem desmoralizado o país diante da comunidade internacional; e ter um plano claro de inserção nessa engrenagem mundial de baixo carbono. “Se juntarmos planejamento e cumprimento das leis, chegaremos a uma estratégia brasileira com credibilidade”, afirmou na entrevista.

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Na matéria de capa, a editora Solange Monteiro acompanhou as análises, estudos e avaliações dos pesquisadores do FGV IBRE sobre os desafios que o país terá para superar a pandemia sob o ponto de vista econômico. Seriam dois caminhos: o primeiro, de curto prazo, envolve dosar os elementos positivos e negativos dispostos até agora na balança da recuperação. O segundo, de mais longo prazo, trata de estimar a combinação das sequelas deixadas pela crise sanitária e os desafios estruturais com os quais o país se enfrentava antes mesmo da Covid-19, e identificar caminhos possíveis para evitar que, na saída da pandemia, voltemos às mesmas mazelas do velho normal brasileiro, de uma economia com baixa capacidade de crescimento. Mas há muita incerteza rondando qualquer previsão. 

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No último dia 13, o país perdeu um dos seus mais brilhantes economistas. Carlos Geraldo Langoni faleceu depois de uma ferrenha batalha contra a Covid-19 que durou cerca de 6 meses. Diretor do Centro de Economia Mundial da FGV, Langoni foi pioneiro no estudo da importância do capital humano no crescimento das nações. A educação era o pilar central para essa formação (ver página 24).

#FiquemBem


Claudio Conceição | claudio.conceicao@fgv.br

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