Nota do editor

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Na última quarta-feira, 4, o FED, o Banco Central dos Estados Unidos, aumentou em 0,5 ponto percentual a taxa básica de juros, a maior desde 2000, para enfrentar a inflação crescente que chegou a 8,5% em março. A decisão é ruim para o Brasil e países emergentes já que papéis norte-americanos se tornam mais atrativos com taxas de juros mais elevadas. E a sinalização é que pode haver uma nova alta de juros se a inflação não ceder. O que pode levar a uma pressão maior nas cotações do dólar, o que não é uma boa notícia para a inflação brasileira.

Por aqui, o Banco Central seguiu o mesmo caminho, subindo a taxa básica de juros em um ponto percentual, levando a Selic para 12,75%, o maior patamar desde fevereiro de 2017. Na próxima reunião, é esperada nova alta. A decisão é para conter a inflação que, segundo informou o BC deve-se ao “ambiente externo que seguiu se deteriorando (...) que se intensificou com problemas de oferta advindos da nova onda de Covid-19 na China e da guerra na Ucrânia”. Esse foi o décimo aumento seguido da Selic, que chegou ao patamar mais alto desde janeiro de 2017. 
 

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Com juros mais altos, o crédito encarece, tanto para consumidores quanto para empresas investirem em expansão ou novas fábricas, o que acaba afetando o mercado de trabalho, já que não se abrem mais vagas. Também há um arrefecimento do consumo, outro desestímulo para que haja uma expansão na capacidade de produção. Com a economia andando de lado, com previsão de crescimento de 0,6% este ano segundo o Boletim Macro FGV IBRE de abril, a tendência é de piora do cenário, especialmente com o dólar se valorizando, encarecendo ainda mais itens básicos, como combustíveis e alimentos. Além disso, possíveis quebras da safrinha, em função de mudanças climáticas, tendem a empurrar os preços dos alimentos ainda mais para cima. O que torna a tarefa do Banco Central de domar a inflação ainda mais complexa.

Claudio Conceição | claudio.conceicao@fgv.br

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