Nota do editor

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O crescimento de 1% do PIB no primeiro trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior não deixa de ser uma boa notícia. O resultado, abaixo das expectativas de mercado – estimavam 1,2% –, foi praticamente o mesmo projetado pelo Boletim Macro FGV IBRE de maio, de 0,9%.

A economia, como era esperado, engatou uma recuperação nesses 3 meses pela volta à quase normalidade, depois de ficar emperrada durante a fase aguda da pandemia. 

Qualquer crescimento deve ser comemorado, ainda mais depois da fase mais crítica da pandemia, com a guerra na Ucrânia que já completa mais de 100 dias, da inflação disseminada pelo mundo e das projeções de menor crescimento mundial. Mas se colocarmos uma lupa nos números, eles não são muito favoráveis. 

O PIB positivo do primeiro trimestre pode ser explicado por fatores temporários, como a reabertura da economia, a normalização do consumo do governo, medidas de estímulo fiscal e a expressiva contribuição externa. Se olharmos sob a ótica da oferta, o segmento Outros Serviços, aqueles prestados às famílias, contribuiu fortemente para esse resultado, crescendo 2,2%. No caso do consumo das famílias, que cresceu 0,7%, a reabertura da economia com a volta das pessoas aos restaurantes, bares, salões de beleza, cinemas, viagens, entre outros, explica esse aumento, impulsionado pelas medidas de estímulo promovidas pelo governo, como o Auxílio Brasil e o reajuste do salário mínimo que, no entanto, já teve parte corroído pela inflação.

Apesar do número positivo, o PIB no ano deve ficar ainda abaixo de 1%. O mercado estava mais otimista e revendo as previsões para o ano para cima, mas a estagnação da demanda doméstica privada no trimestre deve levar a novas revisões, inferiores. Outro ponto de preocupação é a queda de 3,5% nos investimentos no primeiro trimestre do ano. O que é péssimo para o crescimento sustentável de qualquer economia. 

As previsões são de que teremos um segundo semestre difícil, com baixo crescimento. E os sinais são de que 2023 será um ano ainda mais desafiador, com a atividade econômica podendo entrar em um processo recessivo, segundo alguns analistas.

Um dado que mostra a fragilidade da economia é o PIB per capita. Segundo Silvia Matos, pesquisadora e coordenadora do Boletim Macro FGV IBRE, o indicador só deve retornar ao nível de antes do surgimento da pandemia, na melhor das hipóteses, em 2024, com uma projeção do PIB crescendo 0,9% este ano e 0,3% no ano que vem.

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