Barômetros Globais em queda sinalizam desaceleração global

Barômetros Globais em queda sinalizam desaceleração global

Os Barômetros Globais Coincidente e Antecedente da Economia sinalizam desaceleração do ritmo de retomada da atividade econômica mundial em dezembro, refletindo a chegada de uma segunda onda de covid-19 em diversos países. O Barômetro Coincidente interrompe a sequência de altas. O Barômetro Antecedente, que sinalizou otimismo nos meses anteriores, ensaia um retorno para a zona de neutralidade, enquanto as expectativas se voltam para o início das campanhas de vacinação.

O Barômetro Global Coincidente cede 1,0 ponto em dezembro, ao passar de 94,7 pontos para 93,7 pontos, após seis altas consecutivas. O Barômetro Global Antecedente reduz 7,9 pontos no mês, para 105,7 pontos. O indicador vem apresentando altos e baixos desde setembro, mas a queda deste mês foi mais expressiva, levando a queda também na métrica de médias móveis trimestrais A região do Hemisfério Ocidental caminhou na contramão das demais regiões e contribui de forma positiva para o resultado do Barômetro Coincidente. Todas as regiões contribuem de forma negativa para o resultado agregado do Barômetro Antecedente. 

Os avanços recentes no campo da imunização trazem uma perspectiva de resolução para a crise sanitária, ao mesmo tempo que explicitam os desafios concretos da logística da vacinação em massa. Enquanto isso, a realidade do recrudescimento da pandemia já se faz sentir ao longo do mundo, levando à retomada de medidas de distanciamento social e consequente redução do nível de atividade, principalmente no setor de serviços, que já vinha em recuperação mais lenta que os demais. Os desempenhos dos barômetros antecedente e coincidente em dezembro mostram que o caminho para a recuperação econômica robusta ainda tem pela frente um período de incertezas associadas à pandemia e à capacidade de respostas por parte das políticas econômicas”, avalia Paulo Picchetti, pesquisador da FGV IBRE.

Barômetro Coincidente – regiões e setores
O Barômetro Coincidente das regiões da Ásia, Pacífico & África e da Europa recuam em dezembro, contribuindo negativamente com 0,4 e 0,9 ponto, respectivamente, para o resultado do indicador geral. O Hemisfério Ocidental continua em tendência de alta, em ritmo gradualmente menor. No mês, a região contribui para o resultado agregado de forma positiva, em 0,3 ponto. O gráfico do Press Release ilustra a contribuição de cada região para a distância do Barômetro Coincidente em relação ao nível médio histórico de 100 pontos. 

A maior contribuição setorial para a queda do Barômetro Coincidente Global em dezembro foi dada pela Indústria que, mesmo assim, continua com o maior nível. Comércio também contribuiu negativamente para o indicador agregado. Os demais setores contribuem de forma ligeiramente positiva, enquanto os Serviços ficaram estáveis no mês.

Barômetro Antecedente – regiões e setores
O Barômetro Antecedente Global antecipa os ciclos das taxas de crescimento mundial entre três a seis meses. Em dezembro, todas as regiões contribuem negativamente para o resultado agregado, com a maior contribuição vindo da Europa, um reflexo da segunda onda de Covid-19 e suas consequências para a recuperação das economias da região. A segunda maior contribuição veio da Ásia, Pacífico & África, seguida pelo Hemisfério Ocidental.

Em dezembro, todos os Barômetros Antecedentes setoriais recuam, exceto o do Setor de Serviços. O conjunto de variáveis que refletem a evolução das economias em nível agregado (Desenvolvimento Econômico Geral) é o setor mais otimista, com 114,0 pts., seguido de Indústria (111,6 pts.), Construção (109,5 pts.) e Serviços (105,1 pts.). O Comércio é o setor menos otimista no momento, com 85,1 pts.

A Indústria é o setor que mais contribui para a queda do indicador agregado no mês, com quase 6,0 pontos, uma participação de 74%. O conjunto de variáveis que refletem a evolução das economias em nível agregado (Desenvolvimento Econômico Geral) e o Comércio contribuem com 1,0 ponto, seguido da Construção que contribui modestamente. Serviços foi o único setor a contribuir de positivamente, embora de forma pouco expressiva.