Cesta básica aumenta em cinco das oito cidades pesquisadas

O preço médio da cesta de consumo básica de alimentos de março/24 aumentou em relação ao mês anterior em cinco das oito capitais analisadas mensalmente pela plataforma Cesta de Consumo HORUS & FGV IBRE. 
As cidades que registraram as maiores altas foram Salvador e Fortaleza, com variação de 3,5% e 3,0%, respectivamente. Já São Paulo e Manaus, foram as cidades em que houve um recuo nos preços médios, da ordem de -1,6% e -0,6%, respectivamente.

A cesta de consumo básica mais cara continua a ser a do Rio de Janeiro (R$ 1.004,10), seguida por São Paulo (R$ 894,52) e Brasília (R$ 838,57). Em contrapartida, Belo Horizonte (R$ 683,68), Manaus (R$ 702,68), e Curitiba (R$ 792,14) foram as cidades apresentaram os menores custos de aquisição.

Dos 18 gêneros alimentícios da cesta básica, itens como ovos, leite UHT, frango, café em pó em grãos registraram alta de preços na maior parte das capitais abrangidas pela pesquisa.

O aumento no preço do frango e dos ovos de galinha, em parte, foi ocasionado pela baixa oferta no setor de avicultura, que tem sido sistematicamente impactado pelas adversidades climáticas. Tais instabilidades, afetam o bem-estar das aves, interferindo, inclusive, no ganho de peso e na produção de ovos. Além disso, o início do ano letivo escolar, associado ao período quaresmal, estimulou a demanda pelos produtos de granja, fato esse que culminou com a majoração dos preços.

Com relação ao café, além das questões climáticas, a escassez do produto no mercado internacional provocada pela quebra de safra em países como na Indonésia e Vietnã, tem elevado cotação do preço do produto no mercado global.

A redução da produtividade do campo, provocada pela instabilidade climática, pode justificar, em parte, a elevação do preço do leite UHT. Ademais, cabe destacar que a contínua importação de leite em pó da Argentina, iniciada no ano de 2023, tem desestimulado a produção nacional, em especial, os pequenos produtores. Por outro lado, alguns itens da cesta básica tiveram queda em boa parte das capitais compreendida pela pesquisa, conforme retratado na tabela a seguir.

A variação acumulada dos últimos seis meses no valor da cesta básica, no ano de 2024, subiu em todas as oito capitais, com aumentos que variam de 10,2% a 25,1%. A mais significativa foi em Brasília, com aumento de 25,1% no período.

A considerar todas as capitais abrangidas pela pesquisa, nos últimos seis meses, os gêneros alimentícios que registraram as maiores altas de preços estão representados nas tabelas do release.

Quando se considera a cesta de consumo ampliada, que inclui bebidas e produtos de higiene e limpeza, além de alimentos, houve elevação no valor médio da cesta em seis das oito capitais analisadas, variando entre 0,6% e 2,4%. As cidades que apresentaram valores mais altos da cesta ampliada continuam a ser o Rio de Janeiro (R$ 2.218,06) e São Paulo (R$ 2.010,09). Manaus e Belo Horizonte tiveram os menores valores da cesta ampliada, com R$ 1.547,23 e R$ 1.731,07 respectivamente. O comportamento da cesta de consumo ampliada seguiu a tendência da cesta básica, sugerindo que o movimento nos preços afetou não somente os alimentos básicos, mas demais produtos frequentemente presentes nos carrinhos de compras do consumidor.

Dos 33 produtos da cesta ampliada, molho de tomate, chocolate, verduras, azeite e massas instantâneas tiveram alta em todas as capitais. Outros produtos também registraram aumento de preço em quase todas as cidades. 

O aumento no valor da cesta básica na maioria das capitais em março continua sendo reflexo do aumento nos preços de produtos importantes presentes em diversas refeições na mesa do consumidor, como café, ovos, leite UHT, frango, afetando, especialmente, os consumidores de mais baixa renda, que gastam a maior parte de seu orçamento doméstico com alimentação.