Crédito e proteção social

08/08

Qual a sua avaliação sobre a liberação da oferta de empréstimo consignado a beneficiários do Auxílio Brasil – que permite comprometer até 40% do benefício com empréstimo, sem limite de taxa de juros a ser cobrada –, sancionada no início de agosto?

Não foi a primeira vez que se tentou aprovar essa medida, mas nas tentativas anteriores a reação foi tão forte que a ideia morreu no nascedouro. Desta vez, entretanto, houve condições políticas para se aprovar. A grande crítica é a possibilidade desse empréstimo desvirtuar propósito do programa de transferência de renda, já que ele não garante um excedente para além das necessidades básicas. As primeiras propostas de crédito com essa linha já apontam a juros muito elevados, acima de 40% ao ano (reportagem do jornal Estado de S. Paulo indicou pré-cadastros sendo feitos por instituições financeiras em produtos com juros de até 86% ao ano). Com parte da renda futura das famílias comprometida com pagamento de juros, não com consumo em si, é quase como dar para esse grupo uma melhora no curto prazo colocando o futuro completamente em risco. É delicada essa permissividade que foi dada em cima do Auxílio, e por isso faço coro com a preocupação que tem sido levantada, porque o objetivo dessa transferência de renda é o de atender a uma necessidade muito básica.

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