Maioria das indústrias brasileiras considera que pode ser afetada pelas medidas de Trump, aponta FGV IBRE

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Maioria das indústrias brasileiras considera que pode ser afetada pelas medidas de Trump, aponta FGV IBRE

Quando se trata do efeito direto nas exportações, Stéfano Pacini, economista do FGV IBRE responsável pela divulgação da pesquisa, destaca que são as médio-exportadoras – definidas como empresas em que as vendas externas representam entre 10% e 50% do faturamento – que mais expressam preocupação com as implicações da política tarifária de Trump. Desse grupo, 19,7% afirmam que já são afetadas, enquanto 60,4% esperam ser impactadas. Na sequência estão as empresas em que as exportações correspondem a até 10% do faturamento total, com, respectivamente, 9,9% e 55,8% do total de respostas.

Pacini também indica que as empresas de bens intermediários demonstraram maior sensibilidade em relação às incertezas do cenário externo, com 72,3% afirmando que já foram (14,9%) ou devem ser afetadas (57,4%). O economista considera que o foco do governo Trump no aço e alumínio brasileiros pode justificar essa sensibilidade, citando que os segmentos de metalurgia e fabricação de produtos de metal é exportadora de bens intermediários.

A pesquisa também buscou conhecer a percepção dos empresários sobre o efeito das políticas de Trump para os negócios dessas empresas de forma geral. Nessa parte, percebe-se que os resultados variam significativamente quando analisados a partir da categoria de uso. Tanto entre as empresas de bens duráveis quanto de bens intermediários o aumento dos custos de importação foi o fator mais citado – com, respectivamente, 51,8% e 45,6% de assinalações. Já para as empresas de bens de capital e de bens não duráveis, prevalece a incerteza sobre como seus negócios deverão ser afetados.

Observando a totalidade das respostas das empresas nesse quesito, fica patente o predomínio da falta de clareza quanto às implicações do cenário externo para seus negócios. Ainda que depois da pesquisa novos eventos – como a trégua na escalada tarifária entre EUA e China –, tenham afastado do radar as análises mais negativas sobre as implicações de um viés altamente protecionista para o comércio mundial, o que incluiu projeções de forte desaceleração econômica global, Trump não abandonou por completo as promessas de retomada da política de aumento de tarifas, alimentando o alto nível de incertezas de empresários e investidores.