México lidera a melhora no Clima Econômico da América Latina

O Indicador de Clima Econômico (ICE) da América Latina passou de 99,6 pontos para 102,0 pontos, colocando a região na zona favorável do indicador. É o maior valor desde o 1º trimestre de 2018, quando registrou 102,6 pontos. Após esse período, o ICE só ficou na zona favorável no 3º trimestre de 2021 (101,4 pontos). A melhora do ICE está associada ao comportamento do Indicador da Situação Atual (ISA), que avançou 10,5 pontos entre o 3º e o 4º trimestre de 2023, atingindo nesse último período o valor de 96,2 pontos. O Indicador de Expectativas (IE) se mantém na zona favorável, com 114,2 pontos, mas recuou 6,2 pontos em relação ao 3º trimestre. A melhora do ICE da América Latina no 4º trimestre de 2023 se deveu exclusivamente aos ganhos registrados no Indicador da Situação Atual.

Quadro 1 mostra a diferença em pontos dos resultados do 4º trimestre de 2023 em relação ao mesmo período dos anos de 2020,2021 e 2022. Em relação a 2022, os maiores ganhos foram no IE (41,9 pontos), mas houve também melhora na avaliação da situação atual. No caso de 2021, a maior contribuição de melhora do ICE veio do ISA, que cresceu 38,2 pontos. No 4º trimestre de 2020, o mundo vivia uma fase aguda da pandemia de COVID 19, logo, em relação à situação atual do ano de 2023, era esperada uma grande diferença (76,6 pontos). Chama atenção o resultado do IE. No 4º trimestre de 2023, a América Latina recuou em relação às expectativas de 2020. No 4º trimestre de 2020, o IE era de 142,8 pontos e era um momento de expectativas favoráveis com o avanço das vacinas. No final de 2023, o IE foi de 108,0 pontos. Incertezas na economia mundial, associadas aos conflitos no Oriente Médio, podem ter influenciado esse resultado.

Clima econômico: Resultados dos países 
O quadro 2 do release resume os resultados do Clima Econômico para as maiores economias da região acompanhadas pela Sondagem da América Latina. 

O México lidera a alta do ICE, com ganho de 22,8 pontos em relação ao trimestre anterior. Todos os indicadores do México estão na zona favorável (acima de 100 pontos). Chile foi o único outro país a registrar avanço do ICE com ganhos no IE e no ISA mas, exceto o IE, todos os indicadores estão na zona desfavorável. Em adição, o ganho do ICE foi de 4,0 pontos.

Todos os outros países registraram perda de pontos na avaliação do ICE. As maiores perdas foram da Bolívia (28,8 pontos), do Paraguai (23,5 pontos), do Brasil (21,4 pontos) e do Peru (20,5 pontos). Mesmo com esses fortes recuos, Paraguai e Uruguai continuam na zona favorável e o Brasil está na zona limítrofe, com o ICE igual a 100 pontos.

Na comparação entre o 3º e 4º trimestre, México, Chile e Colômbia registraram melhora na avaliação da situação atual. No entanto, apenas o México, além do Paraguai, estão na zona favorável. O Brasil não mudou sua avaliação. Na zona favorável estão Paraguai e México.

Na avaliação das expectativas, México, Uruguai e Peru ganharam pontos. O Brasil registrou perda de 44,4 pontos e ficou na zona neutra. Países com indicadores na zona favorável são Paraguai, México, Uruguai, Chile, Peru e Colômbia. 

Em suma, oito países registraram queda no ICE, seis países no ISA, com um país mantendo igual posição e seis países no IE mantendo igual posição. Na seleção dos 10 países analisados, 80% recuaram em relação ao ICE e 60% no caso do ISA e no IE. 

Como explicar a melhora na América Latina?

O índice agregado da América Latina é construído como uma média dos índices dos países ponderados pelo PIB de cada um corrigido pela Paridade do Poder de Compra (PIB PPP). De acordo com os dados do FMI, O Brasil tem o maior PIB, seguido pelo México. Como o ganho do México foi acima de dois dígitos, o país influenciou o resultado. Se tirarmos o México e calcularmos o índice da América do Sul, os resultados acompanham o Brasil. Entre o 3º e o 4º trimestre de 2023, o ICE da América do Sul passou de 91,3 pontos para 69,3 pontos, o ISA de 69,3 pontos para 65,6 pontos, e o IE de 91,3 pontos para 76,7 pontos. Os gráficos a seguir mostram os resultados dos indicadores para os países selecionados.

Previsões para o crescimento do PIB para 2023 e 2024

Para o ano de 2024, os especialistas projetam recuo nas taxas de crescimento do PIB do Paraguai, do México, do Brasil, da Bolívia e do Equador em relação a 2023, mas as diferenças não ultrapassam 0,5 ponto percentual (p.p.). Os outros países registraram melhora, com destaque para o Uruguai, que passaria de 0,9% para 3,0%; o Peru, que iria de 0,4% para 2,5%; o Chile, que deve sair de um crescimento negativo de 0,7% para 1,2 positivo; e a Argentina, que registraria uma queda menor no seu crescimento, passando de 2,2% negativo para 0,1% negativo. 

Principais problemas em países selecionados

O Quadro 3 mostra o peso que os especialistas conferem à lista de questões apresentadas como entraves para o crescimento econômico dos países. As pontuações variam de 0 a 100. Pontuações acima de 50 pontos indicam que a questão é relevante, e quanto maior o número de pontos, maior a sua relevância. Pontuações abaixo de 50 pontos, o tema não é relevante, e quanto menor a pontuação, menos relevante. A tabela está ordenada segundo a ordem de importância dos problemas para o conjunto da América Latina estudado. Dos 15 problemas listados, 11 tiveram pontuação acima de 50 pontos.  Dentre os principais problemas, que pontuaram acima de 60 pontos, figuraram: falta de inovação; infraestrutura inadequada; corrupção; falta de competitividade internacional; falta de confiança na política econômica; e falta de mão de obra qualificada. 

A menor pontuação se refere à falta de credibilidade da política do Banco Central, com 12,2 pontos.  O tópico não pontuou, ou seja, não é percebido como um problema que afete o crescimento econômico dos países para o Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e Uruguai. Por outro lado, Argentina e Bolívia registram esse tema como um grave problema, com pontuação acima de 90 pontos. A boa avaliação da política monetária sob a condução dos Bancos Centrais em quase todos os países difere da nota atribuída à política econômica de forma geral. Apenas o Brasil (38,5 pontos) e o Paraguai (11,1 pontos) não consideram essa questão como um obstáculo relevante para o crescimento econômico. 

Na Sondagem do 4º trimestre de 2022, os cinco maiores entraves para o crescimento do Brasil que receberam pontuação acima de 90 pontos foram: falta de inovação; infraestrutura inadequada; falta de competitividade internacional; aumento na desigualdade de renda; e falta de mão de obra qualificada. Na Sondagem do 4º trimestre de 2023, não há nenhum item com pontuação acima de 90 pontos. Em ordem decrescente, acima de 50 pontos foram destacados os seguintes itens: falta de competitividade internacional; corrupção; falta de mão de obra qualificada; e aumento da desigualdade de renda com pontuação de 50. Pelos indicadores atuais da Sondagem, o Brasil está numa situação melhor em termos das questões que podem afetar o crescimento do que no 4º trimestre de 2022.

Outra informação extraída dessa Sondagem se refere ao percentual de especialistas que selecionaram os principais problemas no seu país. Na Sondagem do 4º trimestre de 2022, o resultado para o Brasil mostrou que 46,2% selecionaram falta de confiança na política econômica e o mesmo percentual para instabilidade política. Ficaram em segundo lugar, com percentual de 38,5%, a infraestrutura inadequada e o aumento na desigualdade de renda. Na Sondagem do 4º trimestre de 2023, o principal problema foi a infraestrutura inadequada, sinalizado por 26,9% dos especialistas, e com igual percentual no segundo lugar, falta de confiança na política do governo, falta de inovação, falta de competitividade internacional e falta de mão de obra qualificada. E em terceiro lugar, aumento na desigualdade de renda, com percentual de 15,4%. Novamente os resultados mostram uma melhor avaliação da situação do país. O tema da instabilidade política não está entre os principais problemas e o percentual da falta de confiança na política do governo diminuiu, assim como a questão da desigualdade de renda. Foram destacadas questões estruturais como infraestrutura, inovação e mão de obra, que exigem programas de políticas públicas com horizontes além do curto prazo.

Entre os 10 países analisados, cinco destacaram instabilidade da política econômica como o principal problema. A infraestrutura inadequada é o principal problema para Brasil e Peru, enquanto para Equador e Uruguai a instabilidade política foi o fator indicado como mais relevante. Os especialistas do Equador e do México sinalizaram como centrais a falta de competitividade internacional e a corrupção. Além dessa questão, no México é destacado o tema da falta de inovação.