Monitor do PIB aponta crescimento de 0,6% na atividade econômica em outubro

Monitor do PIB aponta crescimento de 0,6% na atividade econômica em outubro

O Monitor do PIB-FGV aponta crescimento de 0,6%, na atividade econômica em outubro, em comparação a setembro, e de 6,4% no trimestre móvel findo em outubro, em comparação ao trimestre móvel findo em julho. Na comparação interanual, a economia apresentou queda de -2,7% em outubro e de -3,1% no trimestre móvel findo em outubro.

O forte crescimento de 7,7% da economia brasileira no 3º trimestre, reverteu, em parte, a forte retração de 9,7% registrada no 2º trimestre deste ano. No entanto, este crescimento não teve continuidade em outubro, que apresenta a menor taxa mensal desde a forte retração de abril. A tendência da economia parece ser retomar às incipientes taxas mensais do início do ano, pré pandemia. Das doze atividades desagregadas que compõem o PIB apenas 6 apresentam-se no plano positivo tanto contra mês anterior, como na comparação interanual. Registre-se que o setor de serviços ainda apresenta grande resistência à recuperação com grande influência das atividades de transportes, de administração pública, e particularmente de outros serviços que pesa quase 15% do PIB. Estes resultados são reflexo do fraco desempenho dos dois principais componentes da demanda: o consumo das famílias e a formação bruta de capital fixo. Mesmo com a flexibilização das medidas de isolamento e pequena melhora dos setores de alojamento, alimentação, serviços prestados às famílias, educação e saúde, o crescimento observado ainda é insuficiente para trazer o consumo para o plano positivo. Produtos não duráveis e duráveis consumidos pelas famílias foram favorecidos pelo auxilio emergencial e pelo comércio virtual, mas serviços continuam travando a economia. Por sua vez são todos negativos os desempenhos dos componentes da formação bruta de capital fixo, em particular da construção que se compõe principalmente de moradias e obras públicas. Com o recrudescimento da pandemia fica dificultada uma recuperação mais robusta do setor de serviços, que é a atividade mais relevante da economia brasileira”, afirma Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV.

ANÁLISE DESAGREGADA DOS COMPONENTES DA DEMANDA
A análise gráfica desagregada dos componentes da demanda foi feita na série trimestral interanual por apresentar menor volatilidade do que as taxas mensais e aquelas ajustadas sazonalmente, permitindo melhor compreensão da trajetória de seus componentes. No entanto, como as medidas de isolamento social em decorrência da pandemia de Covid-19 iniciaram-se em meados do mês de março, tendo significativos impactos na economia, durante o ano de 2020, após a usual apresentação da composição da taxa trimestral é apresentada, também, a desagregação da taxa mensal interanual destes componentes.

Consumo das famílias
O consumo das famílias retraiu -4,4% no trimestre móvel findo em outubro, em comparação ao mesmo trimestre de 2019. Desde a histórica queda de -12,2%, registrada no segundo trimestre, o consumo segue com tendência ascendente, embora ainda com variações negativas. No Gráfico 2 do Press Release nota-se que essa trajetória se deve principalmente ao desempenho do consumo de bens, tendo em vista que o consumo de serviços, apresenta uma recuperação mais lenta, embora também com taxas menos negativas desde o resultado do segundo trimestre.

Na análise mensal interanual (Gráfico 3 do Press Release), nota-se que o consumo de serviços se destaca com a maior queda dentre os componentes do consumo, devido, principalmente, as retrações do consumo de alojamento, alimentação, saúde privada e demais serviços prestados as famílias. Entre os bens, o único a retrair em outubro foi o consumo de semiduráveis impulsionado, principalmente, pelo desempenho de artigos de vestuário e calçados.

Formação bruta de capital fixo (FBCF)
A FBCF (Gráfico 4 do Press Release) retraiu 4,5% no trimestre móvel findo em outubro, em comparação ao mesmo trimestre de 2019. Embora esteja em trajetória menos negativa, o componente de máquinas e equipamentos segue sendo o de maior retração (-8,6) impulsionado, principalmente, pelas quedas nos segmentos de automóveis, camionetas, caminhões e ônibus.

Na comparação interanual (Gráfico 5 do Press Release), observa-se que o componente de outros da FBCF apresentou a maior retração (-5,5%), influenciando fortemente a retração de -1,0% da FBCF em outubro. O segmento de serviços prestados às empresas foi o principal destaque para o recuo deste componente, em outubro.

Exportação
A exportação de bens e serviços (Gráfico 6 do Press Release) retraiu 6,5% no trimestre móvel findo em outubro, em comparação ao mesmo trimestre de 2019. Praticamente todos os componentes retraíram nesta comparação. A única exceção foi a exportação de bens de consumo que cresceu 21,1%, impulsionada pela exportação de bens de consumo não duráveis que cresceram 26,0%, neste trimestre.

No Gráfico 7 do Press Release, nota-se que o volume total exportado de bens e serviços recuou 9,5% com crescimento registrado em apenas dois segmentos: bens de consumo (21,1%) e bens de capital (5,1%). Destaca-se que a maior queda registrada foi na exportação de produtos agropecuários (-27,4%), seguida da exportação de serviços (-22,9%).

Importação
A importação retraiu 23,0% no trimestre móvel findo em outubro, em comparação ao mesmo trimestre de 2019. Embora muito negativa, o Gráfico 8 do Press Release mostra uma suave melhora desta taxa, em comparação ao desempenho anterior. O único componente a crescer foi a importação de produtos agropecuários (1,2%). As fortes quedas de bens intermediários (-15,6%) e dos serviços (-34,9%) explicam a maior parte desta retração, embora os bens intermediários estejam apresentando trajetória ascendente enquanto a importação de serviços continua em desaceleração.

Conforme apresentado no Gráfico 9 do Press Release, todos os segmentos da importação apresentaram retração em outubro na comparação interanual, sendo o recuo da importação de bens de capital e o de serviços os mais expressivos.

MONITOR DO PIB-FGV EM VALORES
Em termos monetários, o PIB em valores correntes no acumulado do ano até outubro foi de aproximadamente 6 trilhões, 111 bilhões e 501 milhões de Reais.

TAXA DE INVESTIMENTO
O Gráfico 10 do Press Release, destaca em duas linhas as médias das taxas de investimento: a de cima mostra a média das taxas de investimento mensais desde o janeiro de 2000 (17,9%); a linha de baixo mostra a média das taxas de investimento mensais desde janeiro de 2015 (15,7%). Observa-se que a taxa de investimento em outubro foi de 17,0%, na série a valores correntes. Apesar de estar abaixo da taxa de investimentos média de 2000 em diante, esta é a melhor taxa de investimento mensal desde outubro de 2015, quando a taxa foi de 17,9%.

ANÁLISE ESPECIAL DAS ATIVIDADES DE SAÚDE PÚBLICA E PRIVADA
A chegada da pandemia de Covid-19 no Brasil, com a adoção das recomendações de isolamento social, tem impactos diretos e indiretos na economia, afetando, praticamente, todas as atividades econômicas. Nesta seção especial que estará disponível no Monitor do PIB-FGV durante todo o ano de 2020, busca-se compreender como duas das principais atividades econômicas diretamente afetadas pela Covid-19 (saúde pública e privada) têm sido impactadas pelo avanço da pandemia no país. Em conjunto essas duas atividades representavam, de acordo com o IBGE, 4,3% do PIB em 2018, sendo a saúde pública responsável por 1,9 p.p. e a saúde privada pelos outros 2,4 p.p.

Saúde pública
A saúde pública compõe, com participação de 12,8% (em 2018, de acordo com as TRUs1), a atividade de Administração Pública na desagregação do PIB em 12 atividades, nas Contas Nacionais Trimestrais do IBGE. Em outubro, a atividade de saúde pública recuou 14,8%, na comparação interanual. Este resultado mostra uma contribuição de -2,0 p.p. da saúde pública para a retração de -5,8% da atividade de Administração pública, no trimestre móvel findo em outubro. Os Gráficos 11 e 12 do Press Release mostram a evolução mensal da atividade de saúde pública e a contribuição trimestral para a atividade de Administração Pública.

Saúde privada
A saúde privada compõe, na desagregação do PIB em 12 atividades, nas Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, a atividade de Outros Serviços, com 15,7% (em 2018, de acordo com as TRUs) de representatividade nesta atividade. Em outubro, a atividade de saúde privada retraiu 10,7%, na comparação interanual. Este resultado mostra uma contribuição de -1,7 p.p. da saúde privada para a retração de -13,3% de Outros Serviços, no trimestre móvel findo em outubro. Os Gráficos 13 e 14 do Press Release mostram a evolução mensal da atividade de saúde privada e a contribuição trimestral para a atividade de Outros Serviços.

Essas quedas de produção da atividade de saúde, tanto pública como privada, estão, provavelmente, associadas ao adiamento de consultas e exames devido ao isolamento social.

É importante destacar que as estimativas realizadas para a saúde pública e privada no Monitor do PIB-FGV não abrangem toda a composição da Conta Satélite de Saúde do Brasil, divulgada pelo IBGE. Além das atividades de saúde pública e privada, a Conta Satélite abrange outras atividades, tais como fabricação de produtos farmacêuticos, comércio de produtos farmacêuticos entre outras atividades relacionadas à saúde.

Outro ponto importante de destacar é que essas estimativas são calculadas com base nos dados disponibilizados no DataSUS, e essas informações, por serem constantemente atualizadas, podem sofrer grandes alterações entre as divulgações.