Monitor do PIB-FGV aponta crescimento de 0,3% da economia

Monitor do PIB

O Monitor do PIB-FGV aponta, na série com ajuste sazonal, crescimento de 0,3% da atividade econômica em novembro, tanto na análise mensal, quanto na trimestral móvel (trimestre set-out-nov comparado ao trimestre jun-jul-ago). Na comparação interanual, a atividade econômica também apresentou resultados positivos com crescimento de 1,5% no mês e 1,4% no trimestre.

“Há cinco meses a economia mantém média de crescimento mensal de 0,1%. Excetuando os meses de maio e junho de 2018, devido à greve dos caminhoneiros, percebe-se que esta estagnação já ocorria nos quatorze meses anteriores (março de 2017 a abril de 2018). Tal comportamento reflete desempenhos semelhantes da indústria e dos serviços. A despeito do término da recessão, a economia tem apresentado fraco desempenho, bem abaixo do seu potencial, tendo crescido 1,1%, em 2017 e com expectativa de crescer apenas 1,3% em 2018. Esta falta de fôlego da economia está certamente associada ao forte desequilíbrio fiscal e a necessidade de reformas macroeconômicas”, afirma Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV.

Na comparação com o mês imediatamente anterior, na série livre de efeitos sazonais, a atividade econômica cresceu 0,3% em novembro; com destaque para o crescimento de todos os componentes da demanda. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a atividade apresentou crescimento de 1,5%, em novembro. Nesta comparação, apenas as atividades da indústria de transformação e da construção apresentaram recuo (-1,1% e -2,3%, respectivamente). Os demais componentes da atividade econômica, tanto da oferta quanto da demanda, apresentaram variação positiva, com destaque para os significativos desempenhos da exportação e da importação (22,6% e 10,6%, respectivamente).

ANÁLISE DESAGREGADA DOS COMPONENTES DA DEMANDA

A análise desagregada dos componentes da demanda foi feita usando a série trimestral interanual por apresentar menor volatilidade do que as taxas mensais e aquelas ajustadas sazonalmente permitindo melhor compreensão da trajetória de seus componentes.

Consumo das famílias

O consumo das famílias apresentou forte crescimento desde maio de 2017 até abril de 2018 sofrendo queda de maio de 2018 até julho quando voltou a se recuperar. Desde então a taxa de variação ficou estabilizada em 1,7%, na média dos trimestres móveis findos de agosto a novembro. No trimestre móvel findo em novembro, comparativamente ao mesmo trimestre em 2017 verificou-se crescimento de 1,6%. Observa-se que todos os componentes mostraram crescimento no período.

Formação bruta de capital fixo

No trimestre móvel findo em novembro de 2018 a FBCF cresceu 2,6%, em comparação ao mesmo trimestre em 2017. O componente de máquinas e equipamentos nacionais cresceu 6,0%, enquanto os equipamentos importados cresceram 16,2%; este resultado foi influenciado pela importação de plataforma de extração de petróleo. Apesar de crescer, a taxa de variação da FBCF tem se mostrado com tendência de queda, uma vez que a importação de plataformas nos meses de julho e agosto foram bem mais elevadas que a de novembro.

Exportação

A exportação apresentou crescimento de 10,3% no trimestre móvel findo em novembro, comparativamente ao mesmo trimestre em 2017, continuando sua trajetória ascendente. Os destaques positivos se devem aos desempenhos da exportação dos produtos da agropecuária (24,5%), da extrativa mineral (29,1%) e dos bens de capital (26,4%). Em direção contrária, a exportação dos bens de consumo duráveis continua retraindo desde o trimestre findo em maio, e chega, em novembro, a sua menor variação desde março de 2015 (-27,4%).

Importação

A importação apresentou crescimento de 4,9% no trimestre móvel findo em novembro, comparativamente ao mesmo trimestre em 2017. Chama a atenção o desempenho positivo da importação de bens de capital (46,9%), influenciado, principalmente, pela importação de plataforma. São destaques também as importações de produtos da extrativa mineral (15,5%) e de bens de consumo duráveis (12,3%).

MONITOR DO PIB-FGV EM VALORES

Em termos monetários, o PIB acumulado em 2018 até o mês de novembro, em valores correntes, alcançou a cifra estimada em aproximadamente de 6 trilhões, 206 bilhões e 253 milhões de Reais.

A partir das informações disponibilizadas em valores correntes e a preços constantes de 1995, foi calculada a taxa de investimento (FBCF/PIB) mensal brasileira. A série histórica, iniciada em 2000, analisada a preços de 1995, mostra que, em janeiro de 2000, a taxa de investimento era de 18,3%. Passados aproximadamente dezenove anos, em novembro de 2018, a taxa de investimento permanece no mesmo patamar. Vale registrar que, em outubro de 2013, a taxa de investimento havia sido de 24,2%, ápice de toda a série histórica, a preços constantes, iniciada em 2000.

APÊNDICE – NOTA EXPLICATIVA

O Monitor do PIB-FGV estima mensalmente o PIB brasileiro em volume e em valor. O objetivo de sua criação foi prover a sociedade de um indicador mensal do PIB, tendo como base a mesma metodologia das Contas Nacionais do IBGE. Sua série inicia-se em 2000 e incorpora todas as informações disponíveis das Contas Nacionais (Tabelas de Recursos e Usos, até 2016, último ano de divulgação) bem como as informações das Contas Nacionais Trimestrais, até o último trimestre divulgado (terceiro trimestre de 2018).

O indicador é ajustado as Contas Nacionais Trimestrais sempre que há mudanças metodológicas e a cada trimestre divulgado. Ou seja, nos trimestres calendários, as médias trimestrais dos índices de volume do Monitor do PIB-FGV serão iguais aos indicadores trimestrais, sem ajuste sazonal, das Contas Nacionais Trimestrais. Nos trimestres calendário, são utilizados os mesmos modelos do IBGE para calcular todas as séries desagregadas com ajuste sazonal, tanto pela ótica da oferta, como da demanda. Para o ajuste sazonal mensal é utilizado o modelo mensal do IBC-Br, do Banco Central; para os trimestres móveis utiliza-se uma média desses ajustes mensais.

Assim, as estimativas do Monitor do PIB-FGV antecedem os resultados das Contas Nacionais Trimestrais nos meses em que este é divulgado. E, nos meses em que não há divulgação, o Monitor representa uma excelente antecipação para as tendências do PIB e seus componentes.

O Monitor do PIB-FGV compõe-se de um relatório descrevendo os principais resultados com ilustrações gráficas e de uma tabela Excel com informações de volume, em valores correntes, e a preços de 1995 das 12 atividades econômicas que agrupadas formam os 3 setores de atividade (agropecuária, indústria e serviços). Apresenta, ainda, o Valor Adicionado a preços básicos, os impostos sobre os produtos e o PIB e também os componentes do PIB pela ótica da demanda. Outro ponto a ser destacado é que o Monitor torna disponíveis desagregações que não são divulgadas pelo IBGE, mas que são relevantes para um melhor entendimento da absorção doméstica e da demanda externa. As desagregações disponibilizadas pelo Monitor são:

Consumo das Famílias: bens de consumo duráveis, semiduráveis, não duráveis e serviços. Adicionalmente eles são classificados em nacionais e importados;

Formação Bruta de Capital Fixo: em máquinas e equipamentos, construção e outros. Para máquinas e equipamentos e outros, há a desagregação entre nacionais e importados;

Exportações e Importações: em produtos agropecuários, produtos da extrativa mineral, produtos industrializados de consumo (duráveis, semiduráveis e não duráveis), produtos industrializados de uso intermediário, bens de capitais e serviços.

São divulgadas as séries de base móvel, séries encadeadas, séries encadeadas dessazonalizadas, as taxas mensais, trimestrais e anuais comparadas a igual período do ano anterior e as taxas mensais e trimestrais comparadas a período imediatamente anterior, e os valores nominais correntes e a preços de 1995.