Monitor do PIB sinaliza crescimento de 1,8% na atividade econômica em maio

Monitor do PIB sinaliza crescimento de 1,8% na atividade econômica em maio

O Monitor do PIB-FGV sinaliza, na análise da série dessazonalizada, crescimento de 1,8% na atividade econômica em maio, em comparação a abril, e retração de 0,9% no trimestre móvel findo em maio, em comparação ao findo em fevereiro. Na comparação interanual a economia cresceu 13,4% em maio e 9,7% no trimestre móvel findo em maio.

Em maio, com relação ao mesmo mês do ano passado, a economia seguiu no ritmo de intenso crescimento observado desde abril devido à baixa base de comparação em 2020. Isso é reflexo do crescimento em todas as atividades econômicas e componentes da demanda. Apesar disso a economia ainda se encontra 0,7% abaixo do nível que detinha em fevereiro de 2020, período anterior ao início da pandemia no país. Esses resultados mostram que ainda há um longo caminho para a retomada mais robusta da economia” afirma Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV.

Neste relatório, foi realizado exercício adicional com relação a série com ajuste sazonal uma vez que a pandemia de Covid-19 exerceu influência nos fatores sazonais de 2020 que podem não estar realmente relacionados a sazonalidade.

Alguns institutos de estatística internacionais estão analisando esses impactos  e, por esta razão, além do ajuste sazonal habitual que contempla o período de janeiro de 2000 a maio de 2021, foi realizado adicionalmente o ajuste sazonal para 2020 e 2021 considerando os fatores sazonais referentes a 2019 e o fator calendário corrente. 

Os resultados mostram que, caso os fatores sazonais da série do PIB utilizados sejam aqueles do período de 2000 até 2019, a taxa de variação em maio de 2021 seria de 2,0%, superior à de 1,8% observada considerando todo o período de 2000 até maio de 2021. Esses resultados sugerem que as taxas ajustadas sazonalmente devem ser analisadas com cautela pois a pandemia pode ter influenciado os fatores sazonais não apenas por razões econômicas como também estatísticas. 

ANÁLISE DESAGREGADA DOS COMPONENTES DA DEMANDA

A análise gráfica desagregada dos componentes da demanda foi feita na série trimestral interanual por apresentar menor volatilidade do que as taxas mensais e aquelas ajustadas sazonalmente, permitindo melhor compreensão da trajetória de seus componentes.

Consumo das famílias

O consumo das famílias cresceu 10,1% no trimestre móvel findo em maio em comparação ao mesmo período do ano passado. Conforme apontado no Gráfico 3 do Press Release, foi registrado crescimento em todos os componentes do consumo, com destaque para o expressivo crescimento dos produtos duráveis (49,8%) e semiduráveis (71,6%). Essas taxas, de certa forma, devolvem as fortes quedas apresentadas em abril e maio de 2020. 

Formação bruta de capital fixo

A FBCF cresceu 29,3% no trimestre móvel findo em maio em comparação ao mesmo período do ano passado. O principal responsável pela aceleração na taxa de crescimento foi o componente de máquinas e equipamentos. Isso se deveu, em grande parte, ao crescimento de automóveis, caminhões e veículos automotores em geral. Essa taxa é mais do que duas vezes a queda do trimestre findo em maio de 2020. 

Exportação

A exportação apresentou crescimento de 12,3% no trimestre móvel findo em maio, em comparação ao mesmo período do ano passado. Conforme apontado no gráfico 5 do Press Release, foi registrado crescimento em todos os componentes da exportação.

Importação

A importação apresentou elevado crescimento de 28,5% no trimestre móvel findo em maio, em comparação ao mesmo período do ano passado, influenciado principalmente pelo crescimento de bens intermediários (38%) e bens de capital (32,6%). Cabe destacar que a importação de serviços apresentou resultado positivo neste trimestre (10%) pela primeira vez desde julho de 2019. 

MONITOR DO PIB-FGV EM VALORES

Em termos monetários, estima-se que o PIB no acumulado do ano até maio de 2021, em valores correntes, foi de 3 trilhões, 434 bilhões e 352 milhões de reais.

TAXA DE INVESTIMENTO

O Gráfico 7 do Press Release destaca em duas linhas as médias das taxas de investimento: a de cima mostra a média das taxas de investimento mensais desde janeiro de 2000 (18,0%); a de baixo, a média das taxas de investimento mensais desde janeiro de 2015 (16,0%). Observa-se que a taxa de investimento em maio de 2021 foi de 22,1%, na série a valores correntes. Como foi dito, a formação bruta de capital fixo cresceu 29,3% o que explica o forte crescimento da taxa de investimento.