O ator central dos BRICs que a Cúpula do Rio de Janeiro revelará não serão os estados nacionais

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O ator central dos BRICs que a Cúpula do Rio de Janeiro revelará não serão os estados nacionais

O anúncio da ausência dos chefes de Estado de China, Rússia, Egito e Irã foi entendido na mídia como um viés de baixa nas ambições dos acordos – além de concentrar holofotes na agenda do presidente Lula com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi. Matias Spektor, vice-diretor da Escola de Relações Internacionais da FGV (FGV RI), defende, entretanto, que o ator central na atual versão expandida dos Brics não são os estados nacionais, mas as possibilidades de cooperação entre eles. “A conversa tem de se focar em como o BRICS pode servir como plataforma para que o setor privado dos seus países faça negócios de uma maneira inteligente, produtiva e que leve em conta questões ainda sem solução como as mudanças climáticas”, afirmou em evento da série Brics Dialogues, promovido nesta quinta (3/7) pelo Cebri em conjunto com a Siemens Energy e o ICS.

Spektor lembrou que as incertezas geradas pela ideia de expansão do Brics – alimentando o medo, tanto entre países aliados aos EUA quanto dos membros originários do Brics, de que por trás dessa decisão houvesse uma estratégia de China e Rússia de fortalecer posições e impor sua concepção de ordem internacional – parecem não mais se justificar. “O processo de expansão dos BRICS não gerou uma coalizão seja sob o jugo de Pequim, seja sobre o jugo de Moscou. sequer sobre o julgo da sigla BRICS”, afirmou, ilustrando a falta de consenso na reunião preparatória para o encontro de líderes, em que os chanceleres deveriam produzir um documento conjunto. “Se abrirem as páginas das consultorias de risco político, verão que todas, sem exceção, dizem que é impossível saber se esta Cúpula de fato terá uma declaração final conjunta dos líderes.”

 

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