Nos últimos meses, a inflação brasileira voltou a apresentar sinais consistentes de desaceleração, influenciada pelo Na sua mais recente decisão, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15% ao ano, reforçando o diagnóstico de que os juros elevados continuam sendo o principal instrumento de combate à inflação. No comunicado oficial de novembro de 2025, o Banco Central voltou a afirmar que “a estratégia de manutenção da taxa de juros por período suficientemente prolongado é essencial para assegurar a convergência da inflação à meta”. Em outras palavras, a autoridade monetária sustenta que juros altos encarecem o crédito, desestimulam o consumo e, por essa via, reduzem as pressões de demanda, mecanismo clássico de transmissão da política monetária.
Entretanto, as evidências parecem contar uma outra história. O Gráfico 1 mostra um afastamento gradual entre a trajetória da Selic e o consumo das famílias no período de 2017 a 2025. Em um cenário convencional, seria natural observar que juros mais altos reduzissem o consumo, ao encarecer o crédito, e que juros mais baixos o estimulassem. No entanto, o comportamento recente das séries sugere que essa relação clássica perdeu força, indicando que o consumo das famílias passou a responder a outros fatores além do custo do dinheiro.
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