Pandemia

Pandemia

Pelas estimativas divulgadas em junho pelo Banco Mundial, o Peru está entre os países que mais sofrerão o choque provocado pelo novo coronavírus, com uma retração de PIB projetada em 12%, acima de Brasil (-8%), México (-7,5%) e Argentina (-7,2%). De acordo a levantamento da Johns Hopkins University no dia 26/6, o país era o sexto no mundo em casos confirmados de Covid-19, atrás apenas de Estados Unidos, Brasil, Rússia, Índia e Reino Unido, e o 13º em mortes. 

Carlos Aquino, economista da Universidad Nacional Mayor de San Marcos (UNMSM), em Lima, ressalta que apesar de o país ter sido um dos primeiros da América do Sul a iniciar a quarentena para conter o contágio, o alto índice de informalidade da economia inibiu a reorganização da atividade de muitos peruanos, como o home office. “As pessoas tiveram que ir às feiras, às ruas, pois precisavam garantir alguma renda”, afirma. Para Aquino, a resposta do governo em oferecer um auxílio financeiro a essa população chegou tarde e mal organizada. “O auxílio (de 760 soles, cerca de US$ 222), só foi definido em abril e até agora não chegou a todas as 7,5 mil famílias que deveriam ser contempladas”, diz. A última previsão do governo é de que até julho se concluiria o pagamento a 2,2 milhões de famílias faltantes. Aquino ainda comenta que, dos 10% do PIB iniciais que o governo afirmou que seriam investidos em medidas de contenção à crise, parte é relativa à liberação de poupanças individuais, como o saque de até 25% do saldo em fundos de pensão, e a liberação de parte conta de compensação por tempo de serviço dos trabalhadores formais, que se equipararia ao FGTS brasileiro.

Além da paralisação da economia doméstica, o professor da UNMSM lembra que o país também sofrerá com o impacto da pandemia na entrada de recursos do setor externo, que representa 30% do PIB. “Em 2019, o Peru registrou exportações de US$ 47 bilhões e uma entrada de investimento estrangeiro direto, especialmente em projetos de mineração, da ordem de US$ 8,3 milhões. Os turistas deixaram aqui cerca de US$ 4,8 milhões, e, em remessas, chegaram US$ 3,4 bilhões. Se conseguirmos chegar a metade desses valores este ano, será muito”, afirma. A vantagem do país em relação a outras economias como a mexicana, diz Aquino, é de concentrar suas vendas ao mercado asiático, destino de 47% das exportações peruanas em 2019, e cuja recuperação econômica aponta ser mais rápida do que nos Estados Unidos e Europa. “Nosso ponto negativo é ainda ter uma alta concentração da pauta em commodities. Diferentemente do Chile, que há algumas décadas só exportava farinha de peixe e cobre e hoje já abastece metade do vinho consumido pelos chineses, ainda não priorizamos agregar valor à nossa oferta. Mas, por ora, já será um alívio”, conclui.