“Sob um contexto de incerteza, é preciso cautela e adaptabilidade”, afirma Paulo Picchetti, diretor do BC

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“Sob um contexto de incerteza, é preciso cautela e adaptabilidade”, afirma Paulo Picchetti, diretor do BC

Neste início de mandato, o presidente dos EUA Donald Trump tem tomado decisões cujo impacto potencial ultrapassa a questão comercial, chacoalhando um ordenamento financeiro global histórico, ampliando as incertezas acima do imaginado. Como isso afeta a condução da política monetária no Brasil?

O Banco Central não tem uma preocupação explícita com questões geopolíticas para cumprir o mandato de estabilidade de preço e de estabilidade financeira. O que nos interessa é o preço e a volatilidade dos vários ativos que criam expectativas e condicionam decisões dentro do Brasil. Nesse sentido, o choque institucional que a atual administração americana começou a introduzir tem um efeito de longo prazo que é muito preocupante. Durante décadas houve a construção de um mecanismo de confiança em instituições que se provou eficiente, útil inclusive do ponto de vista econômico, e que agora é questionado. Temos um presidente dos Estados Unidos que ataca diretamente a independência e a soberania do FED, que no fundo é o guardião do valor da dívida americana, do nível de preços. No limite, se você tem um descontrole inflacionário, o valor dos títulos da dívida é altamente prejudicado e se muda todo o cenário de alocação de recursos ao longo do mundo, inclusive no Brasil. Esses efeitos não são facilmente reversíveis. A analogia mais comum que se ouve é a da pasta de dente: depois que saiu do tubo, é difícil retorná-la para dentro.

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