Transição energética pode ajudar a reindustrializar, mas produtividade é entrave

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Transição energética pode ajudar a reindustrializar

Transição energética é aposta para reindustrialização no Brasil, e, para isso, atrair capitais chineses é parte da estratégia do governo. Mas mau desempenho da produtividade é entrave, e melhoras institucionais são essenciais.

No final do mês, o presidente Lula visita a China, acompanhado de uma megacomitiva, que inclui empresários, políticos, reguladores e ministros. O foco seria a atração de investimentos e modernização da indústria brasileira. Uma das grandes apostas para uma reindustrialização por aqui seria a transição energética. A elevada participação de energia limpa nas matrizes energética e elétrica é vantagem a ser explorada em um mundo de competição por baixo conteúdo de carbono. 

Modernização da indústria é um bom começo. Mas outros ingredientes são necessários para produzir desenvolvimento sustentável, caminho que temos tido dificuldade de percorrer. Isso é o que apontam dados recentes do Observatório da Produtividade Regis Bonelli (OP). Depois de um breve “lapso” em 2020, o ano de 2022 exibe um retorno ao padrão de baixo crescimento da produtividade do período pré-pandemia. Essa variável é medida pela Produtividade Total dos Fatores (PTF), que considera não apenas a produtividade do trabalho, mas também a eficiência do capital.  Nosso baixo nível de crescimento nesse quesito se estende por quase quatro décadas, desde 1981, o que aumenta a responsabilidade de desenhar e avaliar políticas na transição energética. 

O impacto de políticas focadas em energia renovável sobre a descarbonização é tema de  artigo recente publicado pelo Banco Mundial (Galeazzi e coautores, 2023). A amostra contém dados de 133 países em desenvolvimento – Brasil inclusive – ao longo de quase quatro décadas, entre 1980 e 2018. Esse período é basicamente o mesmo dos dados do OP.  São investigados 76 instrumentos de política, agrupados em sete categorias como: arcabouço legal, planejamento da expansão de renováveis, incentivos e suporte regulatório, conexão e uso da rede, precificação de carbono, e risco de contraparte. E é esse último componente o que produz respostas mais rápidas, considerando uma defasagem de três anos desde a adoção das políticas. 

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