Acordo Mercosul-União Europeia: novas reflexões

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Na edição de julho da Conjuntura Econômica fizemos uma primeira reflexão sobre o acordo Mercosul-União Europeia. Chamamos atenção que ainda não estavam disponíveis informações sobre o cronograma de liberalização tarifária para avaliarmos os efeitos sobre os setores de bens e serviços da economia brasileira. Continuamos sem o detalhamento dessas informações, mas é possível tecermos novas considerações a partir de alguns dados divulgados e pelo debate que se seguiu com os eventos associados ao tema do desmatamento da Amazônia.

As negociações Mercosul e União Europeia começaram em 1999 e desde então vários estudos procuraram estimar os possíveis ganhos desse acordo para o Brasil. Citamos alguns exemplos.

Pereira (2000) analisou os efeitos de uma liberalização tarifária entre os países do Mercosul e a União Europeia a partir de um modelo de equilíbrio geral computacional e concluiu que os maiores ganhos estão no setor agropecuário. Sem a liberalização do setor, o produto interno bruto do Brasil não teria ganhos.

Em 2004 foram anunciadas as ofertas finais do Mercosul e dos países europeus para a liberalização dos mercados. Kume e outros (2004) analisaram a oferta europeia e concluíram que a União Europeia pouco concedeu na área agropecuá­ria, pois permaneceram as cotas para diversos produtos. Chamam atenção que o termo adequado seria um acordo de comércio administrado por listas de produtos e não um acordo de livre-comércio.