Sumário

Revista Conjuntura Econômica | junho de 2024

Carta do IBRE
É hora de rebalancear a estratégia de ajuste fiscal
No caso do novo arcabouço fiscal aprovado por Lula, o mercado nunca acreditou nas metas de primário estabelecidas, que acabaram sendo de fato modificadas para uma trajetória de ajuste mais lento que o prometido inicialmente. Daqui para a frente, um ponto crucial é a composição do programa fiscal. Manoel Pires observa que, desde 2015, discute-se se o ajuste deve ser feito todo pela receita ou todo pela despesa, o que não faz sentido, já que o programa deve abordar os dois lados, um ponto detalhado por Bráulio Borges em recente artigo que teve grande repercussão, sendo recomendado por Haddad. Borges enfatiza também que a boa prática é tentar preservar os investimentos.  

Ponto de Vista
Por que a democracia brasileira não morreu?
Acaba de ser publicado pela Companhia das Letras o livro Por que a democracia brasileira não morreu?, da dupla pernambucana da ciência política brasileira, Marcus André Melo e Carlos Pereira. O livro repassa três momentos da conjuntura política dos últimos dez anos – o impedimento da presidente Dilma, a presidência de Bolsonaro e seus contínuos ataques à democracia e o terceiro mandato de Lula – à luz do modelo interpretativo dos autores sobre o funcionamento do presidencialismo multipartidário brasileiro.

Entrevista
“O Brasil é altamente vulnerável, e a tendência é de que muito mais catástrofes aconteçam”
Entre especialistas que analisam os caminhos para o mundo neutralizar as emissões de carbono e conter o aquecimento global, há consenso de que o Brasil tem o privilégio de contar com um “bom problema”. Não lhe faltam vantagens comparativas para expandir a geração renovável de energia e apoiar a chamada descarbonização de diversas atividades. Nesta conversa, Luciana Costa, diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES conta como o banco tem desenhado sua estratégia de financiamento a essa transição. Luciana  também mostra quais as ações que o BNDES está desenvolvendo para auxiliar na catástrofe do Rio Grande do Sul, não deixando de lembrar que o Brasil é altamente vulnerável com relação às mudanças climáticas, e a tendência é de que muito mais catástrofes venham a ocorrer se medidas para enfrentar o problema não forem tomadas. 

Capa | Política Monetária
A última milha
Especialistas reunidos no X Seminário Anual de Política Monetária do FGV IBRE, promovido dia 28/5, destacaram o panorama complexo para a desinflação mundial. O pano de fundo da discussão incluiu perspectivas de um mundo com juros mais altos por mais tempo; projeções para a inflação brasileira seguidamente revisadas para cima – movimento para o qual a tragédia climática no Rio Grande do Sul tende a colaborar –; e o aumento da percepção de risco fiscal, somando dúvidas sobre a viabilidade de novos cortes da taxa de juros básica ainda em 2024.

Artigos
A verdade inconveniente sobre o problema climático no Brasil - Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt
Um Plano Delta antes de um Plano Marshall - Luiz Firmino Pereira e Rafael Souza
Investir (sempre com) incerteza e, no Brasil (cada vez mais), com insegurança (regulatória, jurídica e agora climática) - José Roberto Afonso, Geraldo Biasoto Junior e Murilo Ferreira Viana
(Des)oneração da folha de salários - Vilma da Conceição Pinto
Desoneração da folha e a nova CPMF - Marcos Cintra
Judicialização da saúde: reflexões e estratégias para o Brasil - Mônica Viegas Andrade e Kenya Noronha
Observações sicilianas sobre a política nacional - Murillo de Aragão

Carta do IBRE

O governo estabeleceu uma nova programação fiscal, reduzindo a meta de 2025 e dos anos seguintes. A mudança se justificou por uma confluência de fatores. Em primeiro lugar, o ambiente político, num contexto de eleições municipais, desfavorece o ajuste. Adicionalmente, há um processo de desgaste da relação entre o Executivo e o Legislativo no âmbito federal.

Nota do editor

Um dos principais gargalos do Brasil é a infraestrutura. Nossas deficiências passam pelas ferrovias, mobilidade urbana, saneamento básico, transportes em geral. Nosso logística é deficiente, o que reduz nossa competividade.

Tema principal

Revista Conjuntura Econômica | junho de 2024

No Brasil e no mundo, a difícil tarefa de recolocar a inflação na meta.