Ciclos econômicos são mudanças na economia marcadas por fases. Existem diferentes formas de monitorar os ciclos, sendo as mais conhecidas: ciclos de negócio, ciclos de crescimento e ciclos de taxas de crescimento.
Entre essas formas, a mais conhecida é o chamado ciclo de negócios (business cycle em inglês), em que um ciclo é determinado por fases de expansão ou recessão econômica. O modelo mais conhecido é o chamado de ciclo de negócios (ou business cycle). Um dos conceitos clássicos de ciclos de negócios foi criado por Burns e Mitchell (1946), pesquisadores do NBER:
""Ciclos de negócios são um tipo de flutuação encontrada na atividade econômica agregada de nações que organizem seu trabalho principalmente em empresas privadas: um ciclo consiste de expansão ocorrendo simultaneamente em muitas atividades econômicas, seguidas de fases similares de recessões, contrações e recuperações, as quais se consolidam em uma fase de expansão do próximo ciclo. Essa sequência de mudanças é recorrente, mas não periódica. Em termos de duração, os ciclos econômicos variam de mais de um ano a dez ou doze anos (...)" (tradução livre)
Segundo Romer (1999), os ciclos de negócios de se tornaram mais longos após a Segunda Guerra Mundial. Esta tendência associada à evolução tecnológica e ao aumento da complexidade dos mercados levou a um gradual aumento do interesse nas oscilações no ritmo da economia ao longo de períodos de crescimento. Daí o interesse crescente nos ciclos de crescimento, em que fases de aceleração se contrapõem a fases de desaceleração.
As séries de referência para acompanhamento dos ciclos de crescimento são normalmente obtidas por meio da aplicação de filtros visando à decomposição estatística das séries representativas de nível de atividade em seus componentes de tendência e ciclo.
O ciclo da taxa de crescimento (growth rate cycle) é uma variante do ciclo de crescimento, expressa geralmente pela variação interanual de um índice representativo do nível de atividade econômica. Em relação ao ciclo de crescimento tradicional, esta modalidade apresenta a vantagem de prescindir de filtros.
O Gráfico 1 mostra a diferença entre o acompanhamento das diferentes óticas usando a mesma série (PIB do Brasil no período indicado no gráfico)
Outras características dos ciclos
Um ciclo econômico se completa com a ocorrência das duas fases: ascendente e descendente. No ciclo de negócios clássico, a duração das fases de expansão costuma superar a das fases de recessão. Na economia brasileira, por exemplo, entre 1980 e 2019 foram registrados 9 ciclos segundo a datação do CODACE, com períodos de expansão durando, em média, 34 meses e períodos de recessão durando 19 meses.
No ciclo de negócios, mais estudado e conhecido, a economia passa por quatro estágios: expansão, pico, recessão e vale.
Estágios do ciclo
Expansão: na fase de expansão o crescimento do nível de atividade é disseminado na produção e venda de diferentes setores e, do lado da demanda, de variáveis como emprego e salário.
- Pico: após o nível de atividade desacelerar, a fase de expansão atinge seu pico, momento de transição para a fase de recessão. Como, na maioria das vezes, o momento exato da mudança de fase não é determinado, assume-se que o período de ocorrência do pico (ex: primeiro trimestre de 2014) seja o último da fase de expansão.
- Recessão: durante uma recessão a economia observa queda do nível de atividade espalhada entre os setores, afetando fatores como a produção, vendas, emprego e salário.
- Vale: o nível mínimo alcançado durante a recessão é chamado de vale do ciclo, correspondente ao último trimestre de recessão, que será seguido por um novo ciclo iniciando por uma fase de expansão econômica.
Indicadores compostos de ciclo
Os indicadores antecedentes compostos do ciclo econômico são muito populares em função de sua eficiência em antecipar os pontos de virada (turning points) da atividade econômica, ao contrário da preocupação com a aderência sistemática em relação à série de referência, como nos modelos econométricos tradicionais. Segundo Lahiri e Moore (1991), "sinais antecipados de recessão ou de recuperação da economia são de grande interesse a empresários, gestores de política econômica, gente à procura de emprego e investidores". Esta proposição seria válida tanto para os ciclos de negócios quanto para os ciclos de crescimento.
O sucesso destes indicadores parece estar também relacionado à sua capacidade de combinar variáveis de natureza variada, tornando-os versáteis na identificação de diferentes tipos de choque ou das motivações para a ocorrência de mudança de fase de ciclos.
Há no mundo sistemas de indicadores conhecidos tendo como referência ambas as modalidades mais populares de expressão do ciclo. O sistema de indicadores antecedentes da OCDE para os países tem como referência o ciclo de crescimento. Já os indicadores antecedentes do The Conference Board para os países usa como referência o ciclo de negócios clássico.
No Brasil, a FGV IBRE produz mensalmente o IACE (Indicador Antecedente Composto da Economia) e o ICCE (Indicador Coincidente) em parceria com o The Conference Board (TCB). Além destes, produz também o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) construído a partir da identificação de um ciclo comum a diversas variáveis com perfil antecedente extraídas de suas sondagens de tendência.
Sondagens de tendência
As sondagens de tendência são pesquisas mensais muito usadas por analistas que monitoram os ciclos econômicos por diversos motivos, dentre os quais: i) são divulgadas no mesmo mês da pesquisa de campo; ii) não são revisadas; iii) possuem características de antecedência.
No sistema de indicadores de ciclo econômico da OCDE, por exemplo, há variáveis de origens diversas, mas uma grande assiduidade dos indicadores extraídos de sondagens. Campelo (2019) afirma que de 245 séries presentes nos indicadores antecedentes daquela instituição em março de 2016, 91 (ou 37%) eram retiradas de sondagens, 63 eram indicadores financeiros e 91 eram de outras origens.
No Brasil, a FGV IBRE mantém um sistema de sondagens mensais que reproduz as melhores práticas recomendadas pela ONU, OCDE e Comissão Europeia, tanto no formato de aplicação de questionários quanto na abrangência temática - são produzidas sondagens para a Indústria, Serviços, Comércio, Construção e, do lado da demanda, a do Consumidor. Além destas, a FGV IBRE possui parceria com o Instituto Ifo, da Alemanha, para produção da Sondagem Econômica da América Latina, feita com especialistas econômicos.