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Segundo relatório da Sondagem do Mercado de Trabalho

A pesquisa consulta mensalmente cerca de 2.000 pessoas físicas com mais de 14 anos de idade em todo o território nacional e tem como principal objetivo aprofundar o conhecimento da sociedade sobre o mercado de trabalho brasileiro com informações não encontradas nas estatísticas hoje existentes. Seus resultados permitirão mapear, em âmbito nacional, tendências e percepções da população em relação a diferentes temas, levando em conta caracterizações sociodemográficas como sexo, faixa etária, renda, escolaridade, entre outras.

Neste relatório são apresentados os resultados dos dois últimos meses de coleta de dados em 2022, com perguntas que procuraram aprofundar o conhecimento sobre os trabalhadores por conta própria, sua origem e motivações. Além disso, foi investigada a percepção de riscos sociais e econômicos pelos trabalhadores num horizonte de três anos.

Trabalhadores por conta própria 

Em dezembro de 2022, os trabalhadores por conta própria (com ou sem CNPJ) foram questionados sobre as principais motivações para estarem enquadrados nessa categoria laboral.  Também foram perguntados se sempre estiveram enquadrados nessa categoria. Caso a resposta fosse negativa, procurou-se conhecer seu enquadramento laboral anterior. 

Apenas 1/3 dos trabalhadores por conta própria afirmam terem sempre pertencido a essa categoria. A proporção de trabalhadores que sempre foi conta- própria é maior entre trabalhadores com menor nível de escolaridade, alcançando 34,4% entre os trabalhadores com ensino fundamental; 36,1% entre aqueles com ensino médio; e caindo a 28,1% para quem possui ensino superior.

Em seguida, a pesquisa buscou informações sobre qual o tipo de enquadramento laboral anterior ao do trabalho por conta própria atual. Mais da metade dos trabalhadores (57,1%) reportaram terem sido trabalhadores com carteira assinada anteriormente, parcela seguida pelos que foram trabalhadores sem carteira assinada (16,0%) e pelos desempregados (15,9%).

Na análise por faixas de renda, a segunda opção mais citada para os trabalhadores que recebem até dois salários mínimos passa a ser desempregado, enquanto, entre trabalhadores acima dessa linha de corte, haveria uma proporção maior de trabalhadores com ocupação sem carteira assinada e também empregadores.
Entre as motivações para o trabalhador estar atualmente enquadrado como conta-própria, a mais citada foi a necessidade de um rendimento, pois se encontrava desempregado, por 32,1% dos entrevistados. Em seguida, foram selecionados com mais frequência os seguintes fatores: independência, a flexibilidade de horário e a necessidade de uma fonte de renda extra. 

Nota-se uma diferença entre as categorias que recebem abaixo e acima de dois salários mínimos. As principais razões para os trabalhadores com menor poder aquisitivo migrarem para a condição de conta própria são: estava desempregado e precisava de um rendimento; independência; e necessidade de uma renda extra. Para os com maior rendimento: independência; flexibilidade de horário; e estava desempregado e precisava de uma renda extra.

Riscos de longo prazo

Um quesito especial aplicado em novembro procurou mapear os maiores riscos vislumbrados pelos respondentes, para ele e sua família, no horizonte de três anos. Esse quesito foi aberto para todos os participantes da pesquisa, independentemente da ocupação. Uma das maiores preocupações da população brasileira é ficar doente e/ou incapacitado, um risco relevante para 58,6% dos respondentes. Dificuldade em para cobrir todas as despesas aparece como a segunda opção, citada por 47,4% dos entrevistados. Vale ressaltar que nesse quesito era permitido ao respondente selecionar mais de uma opção de resposta, o que faz com que a soma das opções de respostas supere os 100%.

Os resultados por faixa de renda apresentam pequenas diferenças. A dificuldade em cobrir todas as despesas atinge mais os trabalhadores de menor renda (até dois salários mínimos), chegando a 49,9% das respostas do grupo; e 43,5% entre os que recebem mais. Já o medo de perder o emprego é maior entre os respondentes de maior remuneração, atingindo 43,2%; e 38,5% entre os de menor renda. Nos dois casos ficar doente ou incapacitado segue sendo a maior preocupação.